A história se repete: culpado ou injustiçado?

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Foto: David Souza

Qualquer semelhança com o cenário político vivido no Brasil nos últimos anos com o visto atualmente no Sport não é mera coincidência. Se a ex-presidente Dilma Rousseff foi eleita graças ao capital politico do também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mesmo podemos dizer do atual presidente Arnaldo Barros. Pois teve como principal cabo-eleitoral o ex-presidente João Humberto Martorelli. Os dois desfrutaram de gestões anteriores que tiveram bom desempenho e aceitação mediante aos cidadãos no caso do Brasil e aos sócios no caso do time Rubro-Negro.

No âmbito financeiro, o País atravessava uma crise sem precedentes, agravada pelo aumento da dívida externa e consequentemente perda da credibilidade com os investidores externos.  Pois os investidores não queriam aplicar o capital em uma nação que não tinha transparência e que teve nota rebaixada por agências que mediam o risco de crédito, o qual indica o nível  de bom pagador. No Sport, o mandatário do clube vive a maior crise de sua gestão - que vem sendo marcada por uma série de polêmicas, como salários atrasados, desmanche da imagem de bom pagador que o clube tinha construído nos últimos 10 anos e dividas referentes à aquisição dos direitos federativos de alguns atletas. Além disso, as promessas e os discursos progressistas realizados pelos mandatários esbarraram na dificuldade de implantação e ficaram apenas no palanque.

No que tange ao relacionamento, as duas gestões possuem algumas similaridades. Na era Dilma, era perceptível o clima insalubre entre a imprensa e a presidente. Com Arnaldo, empatia não é das mais altas, porém o clima entre as duas partes é estritamente profissional. Um dos problemas cruciais do governo Dilma Rousseff foi à falta de articulação política com os líderes da Câmara e do Senado, o que culminou com o acatamento do pedido de impeachment e o julgamento célere. No caso de Arnaldo Barros, a saída da Copa do Nordeste, o impasse com jogadores importantes do elenco, o distanciamento das principais lideranças do clube e a eliminação vexatória na Copa do Brasil para o Ferroviário-CE - além do que já foi pontuado - foram determinantes para a formalização de solicitação de  assembleia geral para analisar a possibilidade de impeachment do presidente do executivo.

Se Arnaldo Barros será deposto ainda é cedo para dizer, mas o ano de 2018 ficará marcado na história do Sport Club do Recife. 

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