Apesar dos lucros, CBF prefere viver na idade da pedra do futebol

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Dessa vez a CBF conseguiu. Fez o que ela faz de melhor, tentar tirar de si o foco das aberrações do que acontece no futebol brasileiro, coisa que nem sempre consegue, mas dessa vez logrou êxito. Na última segunda feira, a implantação dos árbitros de vídeo para o campeonato brasileiro de 2018 foi vetada pela maioria dos clubes causando rebuliço, além de colocar os 12 clubes como os "guardiões retrocesso" por terem votado contra a implementação desse sistema nos moldes propostos pela CBF. Com 12 votos contrários (Corinthians, Santos, América-MG, Cruzeiro, Atlético-MG, Atlético-PR, Paraná, Vasco, Fluminense, Sport, Vitória e Ceará), e 7 votos a favor (Bahia, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio, Internacional e Palmeiras) e 1 abstenção (São Paulo), foi revogada a medida que com certeza aumentaria o nível de credibilidade do principal campeonato nacional.


Alegando prejuízo de 20 milhões com o campeonato brasileiro, (Fonte ESPN) a CBF, entidade sem fins lucrativos que lucrou cerca de 600 milhões de reais só nessa década, repassou aos clubes os custos do VAR ( Vídeo árbitro), os gastos girariam em torno de 45 a 50 mil reais por partida para os clubes, que dentro outros, já são responsáveis por outros gastos nas partidas como pagamento de toda a comissão de arbitragem, pagamento para as federações de uma parte das rendas ( valor varia por federação), e custos fixos como fiscais, funcionários, policiamento, anti-doping, ambulância etc. Com a implantação, o custeio de realizar uma partida poderia chegar a 100 mil reais por jogo aos clubes, que poderia afetar principalmente as agremiações que prezam por ingressos a preços acessíveis para os torcedores e também aos clubes que tem uma média considerada baixa de torcedores por partida.


Receitas da CBF desde 2009 (Foto: BDO Brazil)


Contrariando por exemplo os números da FIFA que registrou em 2016 prejuízo de US$ 369 milhões,  esse foi um dos ano mais superavitários da CBF, como mostra no imagem tanto em patrocínios quanto em direitos de transmissão, ano inclusive mais rentável que 2014, quando a Copa do Mundo foi sediada aqui no Brasil e a previsão para 2017, pasmem, é bater a receita de inacreditáveis 1 bilhão de reais, a maior da história da CBF em um ano.

É amigos, esta é a entidade que se omite de qualquer participação nos custos junto aos clubes da implementação e manutenção do sistema de árbitros de vídeo. O balanço financeiro de 2017 será divulgado ainda esse ano.
                                     
Expectativa do balanço financeiro 2017 é que receita alcance 1 bilhão de reais (Foto: BDO Brazil)

Impressionante como o futebol consegue dentro do seu universo ser um reflexo do que acontece no país, são os retrocessos sociais, e retrocessos no futebol. Se por um lado temos o primeiro presidente ficha suja da história do país, por outro, temos um presidente da CBF que não sai do país por já ser investigado em outros países, se o atual governo tem tomado medidas que retrocedem cada vez mais a vida dos brasileiros, por outro, vemos a CBF se omitindo em decisões como essa que poderiam trazer algo que há muito tempo falta no futebol brasileiro. Credibilidade.

É amigos, eu também gostaria que o futebol fosse um país a parte, onde o espirito esportivo, coletivo e tantos outros que fazem desse o melhor esporte do mundo reinasse, eu moraria nele.

Escrito por Mateus Lopes


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