Nem 8 nem 80, qualquer ponto de vista que descambe para o extremismo tende a ser precipitado assim como na política ou diversos pontos dentro da sociedade, no futebol não é diferente. O texto a seguir não faz uma perseguição aos treinadores, pelo contrário, em favor de um planejamento que o futebol brasileiro ainda não alcançou.
No Brasil vivemos o extremo, a falta de convicção no trabalho dos treinadores que atuam no país é alarmante, em média um treinador brasileiro dura no comando de um clube de futebol no país, cerca de 5 meses e quando a conta é feita com treinadores estrangeiros, a média cai para 4 meses de trabalho. Isso mostra o quanto a falta de planejamento marca a maioria das diretorias do futebol brasileiro que em sua maioria contratam um técnico baseado na disponibilidade do profissional, custo, histórico com o clube, por mais que não seja tão recente, e dificilmente pela sua proposta de jogo, se condiz financeiramente com a realidade dos jogadores que ele pode indicar, ou de acordo com as características dos jogadores já disponíveis no elenco.
![]() |
| Treinador passou cerca de dois meses com esquema improvisado por opção. Foto: Willians Aguiar/ Sport Recife |
No entanto, como dito no primeiro parágrafo, nenhum extremo é saudável. Nenhum treinador pode ser intocável e por mais que consideremos uma média de cinco meses, pouco tempo, isso é tempo suficiente para o time mostrar um melhora tática e caso uma equipe não consiga demonstrar uma melhora nesse espaço de tempo, este trabalho deve ser repensado algumas vezes antes de lhe ser dado prosseguimento e outros campeonatos durante a temporada sejam colocados em risco por conta de um trabalho que não está evoluindo. Entendam evolução como diferente de resultado. Exemplo: O técnico Ney Franco passou cerca de dois meses a frente da equipe do Sport no ano passado, insistindo em um esquema com Rithely na meia de armação e com Diego Souza jogando na ponta direita, o resultado um esquema tático que não se encontrou, durante todo seu período enquanto treinador na Ilha do Retiro, pois Rithely de meia não conseguia criar como um meia oficio e o Diego Souza não se encontrou nessa posição, comprometendo todo o lado direito do Sport na época. Também ano passado, Givanildo Oliveira foi demitido depois de pegar a equipe do Santa na 12ª colocação e deixar na 17ª com seis derrotas consecutivas, sequencia levou o santa a partir dali, começar brigar na parte debaixo da tabela. Em 2008, o técnico Pintado foi contratado pelo Náutico na série A, e foi demitido sem conseguir vencer nenhum jogo durante sua passagem com 5 derrotas e 1 empate, sequencia quase rebaixou o Náutico para segunda divisão, onde conseguiu escapar na última partida pelo treinador subsequente, Roberto Fernandes naquela partida fatídica contra o Santos na Vila Belmiro. Se nesse último exemplo a passagem sem vitórias esboçou uma reação rápida por parte da cúpula alvi-rubra, em 2012, a diretoria do Sport teve mais paciência com o então técnico Vagner Mancini, que em 15 jogos, precisou de 12 sem vitórias para demitir o treinador, a sequencia negativa de quase um turno sem vitória praticamente rebaixou o time naquele campeonato.
A falta de critérios técnicos ligados diretamente a realidade financeira e elenco dos clubes é um dos principais fatores para que esse "cai cai" de treinadores perdure da forma que está. Nesse caso, culpa das diretorias dos clubes. No entanto, poucos são os treinadores que não exitam em assinar o primeiro contrato "gordo" que lhes aparecerem pela frente e acabam pegando clubes onde se parasse um pouco para analisar antes de assinar, como; pesquisar o tempo dos treinadores anteriores a ele, realidade financeira do clube, tempo que ele teria disponível pra realizar um trabalho, qual plantel ele já tem em mãos para começar a trabalhar etc, faria com que as coisas corressem dentro de uma margem maior de acerto, mas como isso dificilmente é analisado pelos técnicos de futebol, o trabalho ganha uma probabilidade de fracassar maior e a demissão se torna previsível.
Culpa das diretorias por não analisar os treinadores que trazem, pois técnico nenhum pede para ser contratado, mas tem também uma parcela de culpa para os treinadores que fazem muito pouco ou nada, para que essa rotatividade entre os próprios treinadores possa diminuir, no entanto demonstrar evolução durante o trabalho é essencial para a vida de um técnico a frente de um clube, só lembrando, evolução é diferente de resultado.








0 comentários:
Postar um comentário