Treinador não pode ser intocável

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018 0 comentários

Nem 8 nem 80, qualquer ponto de vista que descambe para o extremismo tende a ser precipitado assim como na política ou diversos pontos dentro da sociedade, no futebol não é diferente. O texto a seguir não faz uma perseguição aos treinadores, pelo contrário, em favor de um planejamento que o futebol brasileiro ainda não alcançou.

No Brasil vivemos o extremo, a falta de convicção no trabalho dos treinadores que atuam no país é alarmante, em média um treinador brasileiro dura no comando de um clube de futebol no país, cerca de 5 meses e quando a conta é feita com treinadores estrangeiros, a média cai para 4 meses de trabalho. Isso mostra o quanto a falta de planejamento marca a maioria das diretorias do futebol brasileiro que em sua maioria contratam um técnico baseado na disponibilidade do profissional, custo, histórico com o clube, por mais que não seja tão recente, e dificilmente pela sua proposta de jogo, se condiz financeiramente com a realidade dos jogadores que ele pode indicar, ou de acordo com as características dos jogadores já disponíveis no elenco.

Treinador passou cerca de dois meses com esquema improvisado por opção. Foto: Willians Aguiar/ Sport Recife















No entanto, como dito no primeiro parágrafo, nenhum extremo é saudável. Nenhum treinador pode ser intocável e por mais que consideremos uma média de cinco meses, pouco tempo, isso é tempo suficiente para o time mostrar um melhora tática e caso uma equipe não consiga demonstrar uma melhora nesse espaço de tempo, este trabalho deve ser repensado algumas vezes antes de lhe ser dado prosseguimento e outros campeonatos durante a temporada sejam colocados em risco por conta de um trabalho que não está evoluindo. Entendam evolução como diferente de resultado. Exemplo: O técnico Ney Franco passou cerca de dois meses a frente da equipe do Sport no ano passado, insistindo em um esquema com Rithely na meia de armação e com Diego Souza jogando na ponta direita, o resultado um esquema tático que não se encontrou, durante todo seu período enquanto treinador na Ilha do Retiro, pois Rithely de meia não conseguia criar como um meia oficio e o Diego Souza não se encontrou nessa posição, comprometendo todo o lado direito do Sport na época. Também ano passado, Givanildo Oliveira foi demitido depois de pegar a equipe do Santa na 12ª colocação e deixar na 17ª com seis derrotas consecutivas, sequencia levou o santa a partir dali, começar brigar na parte debaixo da tabela. Em 2008, o técnico Pintado foi contratado pelo Náutico na série A, e foi demitido sem conseguir vencer nenhum jogo durante sua passagem com 5 derrotas e 1 empate, sequencia quase rebaixou o Náutico para segunda divisão, onde conseguiu escapar na última partida pelo treinador subsequente, Roberto Fernandes naquela partida fatídica contra o Santos na Vila Belmiro. Se nesse último exemplo a passagem sem vitórias esboçou uma reação rápida por parte da cúpula alvi-rubra, em 2012, a diretoria do Sport teve mais paciência com o então técnico Vagner Mancini, que em 15 jogos, precisou de 12 sem vitórias para demitir o treinador, a sequencia negativa de quase um turno sem vitória praticamente rebaixou o time naquele campeonato.

A falta de critérios técnicos ligados diretamente a realidade financeira e elenco dos clubes é um dos principais fatores para que esse "cai cai" de treinadores perdure da forma que está. Nesse caso, culpa das diretorias dos clubes. No entanto, poucos são os treinadores que não exitam em assinar o primeiro contrato "gordo" que lhes aparecerem pela frente e acabam pegando clubes onde se parasse um pouco para analisar antes de assinar, como; pesquisar o tempo dos treinadores anteriores a ele, realidade financeira do clube, tempo que ele teria disponível pra realizar um trabalho, qual plantel ele já tem em mãos para começar a trabalhar etc, faria com que as coisas corressem dentro de uma margem maior de acerto, mas como isso dificilmente é analisado pelos técnicos de futebol, o trabalho ganha uma probabilidade de fracassar maior e a demissão se torna previsível.

Culpa das diretorias por não analisar os treinadores que trazem, pois técnico nenhum pede para ser contratado, mas tem também uma parcela de culpa para os treinadores que fazem muito pouco ou nada, para que essa rotatividade entre os próprios treinadores possa diminuir, no entanto demonstrar evolução durante o trabalho é essencial para a vida de um técnico a frente de um clube, só lembrando, evolução é diferente de resultado.

A história se repete: culpado ou injustiçado?

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018 0 comentários

Foto: David Souza

Qualquer semelhança com o cenário político vivido no Brasil nos últimos anos com o visto atualmente no Sport não é mera coincidência. Se a ex-presidente Dilma Rousseff foi eleita graças ao capital politico do também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mesmo podemos dizer do atual presidente Arnaldo Barros. Pois teve como principal cabo-eleitoral o ex-presidente João Humberto Martorelli. Os dois desfrutaram de gestões anteriores que tiveram bom desempenho e aceitação mediante aos cidadãos no caso do Brasil e aos sócios no caso do time Rubro-Negro.

No âmbito financeiro, o País atravessava uma crise sem precedentes, agravada pelo aumento da dívida externa e consequentemente perda da credibilidade com os investidores externos.  Pois os investidores não queriam aplicar o capital em uma nação que não tinha transparência e que teve nota rebaixada por agências que mediam o risco de crédito, o qual indica o nível  de bom pagador. No Sport, o mandatário do clube vive a maior crise de sua gestão - que vem sendo marcada por uma série de polêmicas, como salários atrasados, desmanche da imagem de bom pagador que o clube tinha construído nos últimos 10 anos e dividas referentes à aquisição dos direitos federativos de alguns atletas. Além disso, as promessas e os discursos progressistas realizados pelos mandatários esbarraram na dificuldade de implantação e ficaram apenas no palanque.

No que tange ao relacionamento, as duas gestões possuem algumas similaridades. Na era Dilma, era perceptível o clima insalubre entre a imprensa e a presidente. Com Arnaldo, empatia não é das mais altas, porém o clima entre as duas partes é estritamente profissional. Um dos problemas cruciais do governo Dilma Rousseff foi à falta de articulação política com os líderes da Câmara e do Senado, o que culminou com o acatamento do pedido de impeachment e o julgamento célere. No caso de Arnaldo Barros, a saída da Copa do Nordeste, o impasse com jogadores importantes do elenco, o distanciamento das principais lideranças do clube e a eliminação vexatória na Copa do Brasil para o Ferroviário-CE - além do que já foi pontuado - foram determinantes para a formalização de solicitação de  assembleia geral para analisar a possibilidade de impeachment do presidente do executivo.

Se Arnaldo Barros será deposto ainda é cedo para dizer, mas o ano de 2018 ficará marcado na história do Sport Club do Recife. 

Náutico e a boa chance para "renascer"

sábado, 17 de fevereiro de 2018 0 comentários

Pois bem, o começo de 2018 tem sido animador para o torcedor alvirrubro.
Time é o líder do Campeonato Pernambucano, avançou nos três mata-matas
que disputou (dois pela Copa do Brasil e um pelo Nordestão) no qual em
todos conseguiu uma quantia financeira importantíssima para ajudar a tirar o
clube o mais rápido possível da Série C. 
Nesse texto, acho de extrema importância citar duas coisas sobre a diretoria
alvirrubra:

1 - Pra começar, temos que lembrar o primeiro semestre da temporada
passada. O Náutico mais uma vez não venceu o estadual, e chegou à Série B
precisando fazer vários ajustes salariais. Quem não lembra a tentativa da
diretoria reduzir o salário de jogadores de renome como Marco Antônio,
Rodrigo Souza, Giovanni, entre outros? Acredite, pra mim, aquilo foi um
ponto positivo e vou explicar porquê. 
Naquele momento a diretoria demonstrou que precisava ser honesta com os jogadores 
e com sua torcida, revelando exatamente o que poderia e não poderia pagar. Diferente dos
casos de Sport e Santa Cruz, no qual estão devendo salários a jogadores e
funcionários. Mesmo com tanta limitação financeira, o Náutico em 2018,
apesar de estar mal na Copa do Nordeste, já conseguiu faturar uma grana
muita alta por causa da classificação contra o Itabaiana, ou mesmo das contra
Cordino e Fluminense de Feira, na Copa do Brasil. Se a diretoria permanecer consciente como se mostrou em 2017, a tendência é que o Timbu tenha um
time muito forte para conseguir o acesso já nesse ano. 

2 - O segundo ponto que se deve mencionar é não colocar o Pernambucano acima
de tudo. Acho sim que a equipe alvirrubra possa vencer o estadual esse ano,
mas, e se não acontecer? O planejamento não pode acabar de um dia para o
outro. Basta voltar no tempo e lembrar-se de 2016, quando o Náutico
terminou líder o hexagonal do título, porém foi derrotado na semifinal contra
o Santa Cruz, em plena Arena de Pernambuco. Na ocasião, o treinador era o
Gilmar Dal Pozzo, no qual foi demitido logo após a eliminação naquela
competição. 



O timbu precisa lembrar que o objetivo principal é voltar pra Série B. Se o
Pernambucano vier, maravilha, já está mais do que na hora. Contudo, a
tendência é que na competição nacional o Náutico já esteja de volta aos
Aflitos, a verdadeira casa alvirrubra, onde é muito difícil de vencê-lo. Esse
início de ano está sendo animador, e a diretoria parece acertar nas tomadas de
decisão por enquanto. E que seja assim durante todo 2018. Esperamos que no
final o torcedor esteja comemorando a volta pra segunda divisão, no qual ainda
assim, não é o lugar onde o Náutico merece estar. 

Texto: Bruno Noblat

Afinal, a violência é do ou é no futebol?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018 0 comentários

Uma simples preposição pode fazer toda a diferença, mas a resposta é fácil. Se por acaso a violência for do futebol, ou seja, proveniente dele, quer dizer que a causa da violência está diretamente ligado a pratica e vivencia do esporte. Já quando se afirma, que a violência é no futebol, estamos colocando a violência como um problema geral e que atinge o futebol e outros setores da sociedade também. Qual seria a colocação mais coerente a se fazer? Vamos aos fatos.

Segundo dados do ministério da Justiça, o Brasil é o país líder em violência contra as mulheres (1 a cada 15 segundos é agredida), contra os gays (129 mortes e agressões por dia), crianças e deficientes (mais de 17 mil denúncias de maus tratos), no trânsito (40 mortes e mutilações por dia) além de ser o país líder mundial em homicídios, estamos no país em que acontecem 10% dos homicídios registrados no planeta. A pergunta é, teria como o futebol brasileiro fugir desse contexto? No entanto por mais incrível que possa parecer, no futebol, a prática de violência entre torcidas organizadas embora crescentes, são inferiores aos números da violência geral no país. Sendo mais exato, a violência praticada por vândalos corresponde apenas entre 5% e 7% das T.Os. 

Os fatos nos mostram que o problema da violência é um problema social, ou seja, é dever do estado investir de maneira forte na segurança do país punindo as pessoas. Medidas que colocam a culpabilidade na vivência do esporte além de equivocadas, pouco se viu surtir efeito como proibição determinadas torcidas de entrarem nos estádios, jogos de torcida única, proibição de bandeiras, faixas e instrumentos, coisas que fazem parte da cultura torcedora do nosso país se mostraram fracassadas. Aqui em Pernambuco por exemplo, onde as três principais torcidas estão banidas dos estádios desde 2014, os conflitos continuam ocorrendo do lado de fora dos estádios. Outro exemplo foi o incidente que ocorreu no Rio de Janeiro, após o final da Copa Sul-americana, onde o caos generalizado, tomou conta dos arredores do Maracanã, mesmo com a Torcida Jovem do Flamengo está banida por três anos de frequentar os estádios. Ninguém pôde ser punido, porque na teoria, a torcida "responsável" pelo incidente está proibida de frequentar os estádios.

Foto: Márcio Alves / Agência O Globo


A única maneira de coibir a violência é com a punição por CPF, ou seja, diretamente a pessoa que pratica os atos de vandalismo, como em qualquer outro ato de transgressão da lei, baseada na experiencia de outros países que conseguiram atuar de forma positiva na redução da violência que atinge o futebol.

Para concluir, fica a pergunta:No dia que por uma canetada qualquer, acabarem com o futebol, essas pessoas que praticam esses atos de vandalismos, vão parar de transgredir?


A dificuldade de propor jogo no futebol atual

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018 0 comentários

Foto: Globo Esporte
Tenho certeza que a maioria que acompanha o futebol brasileiro e mundial deve adorar a forma que times como Real Madrid e Barcelona jogam. Sempre com maior posse de bola, futebol ofensivo, quebrando linhas de defesa com tabelas e jogadas individuais maravilhosas. Pois bem, Barça e Real tem qualidade pra isso, mas e no futebol brasileiro? No futebol pernambucano pra ser mais exato? Vamos tentar encarar a realidade da situação.



No futebol de antigamente, anos 50 ou 60, a formação tática era a 4-2-4. Estratégia que deixava a partida muita aberta e vários jogos com muitos gols. Tanto que a minha impressão quando criança é que antigamente o placar no qual mais se repetia era o 5x2. É, meio patético, mas é verdade. Então, o tempo foi passando e a prioridade da defesa aumentando. Foram surgindo novos esquemas: 4-3-3, 3-5-2, e o 4-4-2 que dominou o fim dos anos 90 e o começo dos anos 2000. Época na qual eu comecei a acompanhar futebol. Quatro jogadores na defesa, dois volantes, dois meias e mais dois atacantes na frente. Sempre imaginei que seria isso. Contudo, o tempo passa, as coisas evoluem, e o pensamento na defesa vem sendo peça principal para vários times no Brasil e no mundo. Exemplo claro que o atual campeão Brasileiro (Corinthians) na ampla maioria dos jogos tinha menos finalizações, menos posse de bola, e mesmo assim vencia seus adversários.

Hoje em dia a maioria dos times jogam no 4-3-3 ou no 4-2-3-1 como queiram chamar. Mas, todos quando estão sem a bola, marcam com duas linhas de quatro, fazendo um 4-4-2 defensivo, ou um 4-1-4-1, que quando bem executado, dificulta a vida de todos que tentam os atacar. E então, parece que jogar no contra-ataque, esperando uma jogada que pegue a equipe desprevenida, vem trazendo mais sucesso que o normal.

Vamos parar de enrolação e trazer o texto pro nosso futebol pernambucano. Náutico 3x0 Sport na Arena de Pernambuco recentemente. Mesmo em casa, o Timbu aceitou que tinha que se defender. Fez isso muito bem e quando teve as chances aproveitou. Conseguindo uma goleada que não conseguia contra o rival há muitos anos. E foi no contra-ataque. Outro jogo para falarmos nesses últimos dias é Santa Cruz 3x0 Treze. O time tricolor em casa tentou propor jogo e conseguiu fazer 1x0 cedo. Passando o resto da partida esperando o adversário. E com isso, conseguiu outros dois gols, nos quais poderiam ter sido até mais.

Aonde eu quero chegar com isso tudo? Que a cultura do futebol mudou. A do brasileiro também. Poucos são os torcedores que gostam e aceitam de ver seus times jogando com menos posse de bola e finalizando menos. Porém, as vezes vai ser assim. Talvez, até a maioria das vezes. Não vejo no Brasil e muito menos em Pernambuco um time que jogue tanto dentro como fora de casa indo pra cima, sendo mais ofensivo que o adversário em todo jogo. Por isso, tem que ter paciência e aceitar as limitações das suas equipes. Hoje, felizmente ou infelizmente, não está sendo importante no futebol "jogar" melhor, mas sim "executar" seu plano de jogo e aproveitar quando as chances surgirem. Muitos não são a favor desse estilo de jogo, só que está claro que os times pernambucanos jogaram muitas vezes assim durante toda suas trajetórias.
Texto por: Bruno Noblat

Apesar dos lucros, CBF prefere viver na idade da pedra do futebol

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018 0 comentários

Dessa vez a CBF conseguiu. Fez o que ela faz de melhor, tentar tirar de si o foco das aberrações do que acontece no futebol brasileiro, coisa que nem sempre consegue, mas dessa vez logrou êxito. Na última segunda feira, a implantação dos árbitros de vídeo para o campeonato brasileiro de 2018 foi vetada pela maioria dos clubes causando rebuliço, além de colocar os 12 clubes como os "guardiões retrocesso" por terem votado contra a implementação desse sistema nos moldes propostos pela CBF. Com 12 votos contrários (Corinthians, Santos, América-MG, Cruzeiro, Atlético-MG, Atlético-PR, Paraná, Vasco, Fluminense, Sport, Vitória e Ceará), e 7 votos a favor (Bahia, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio, Internacional e Palmeiras) e 1 abstenção (São Paulo), foi revogada a medida que com certeza aumentaria o nível de credibilidade do principal campeonato nacional.

Alegando prejuízo de 20 milhões com o campeonato brasileiro, (Fonte ESPN) a CBF, entidade sem fins lucrativos que lucrou cerca de 600 milhões de reais só nessa década, repassou aos clubes os custos do VAR ( Vídeo árbitro), os gastos girariam em torno de 45 a 50 mil reais por partida para os clubes, que dentro outros, já são responsáveis por outros gastos nas partidas como pagamento de toda a comissão de arbitragem, pagamento para as federações de uma parte das rendas ( valor varia por federação), e custos fixos como fiscais, funcionários, policiamento, anti-doping, ambulância etc. Com a implantação, o custeio de realizar uma partida poderia chegar a 100 mil reais por jogo aos clubes, que poderia afetar principalmente as agremiações que prezam por ingressos a preços acessíveis para os torcedores e também aos clubes que tem uma média considerada baixa de torcedores por partida.


Receitas da CBF desde 2009 (Foto: BDO Brazil)


Contrariando por exemplo os números da FIFA que registrou em 2016 prejuízo de US$ 369 milhões,  esse foi um dos ano mais superavitários da CBF, como mostra no imagem tanto em patrocínios quanto em direitos de transmissão, ano inclusive mais rentável que 2014, quando a Copa do Mundo foi sediada aqui no Brasil e a previsão para 2017, pasmem, é bater a receita de inacreditáveis 1 bilhão de reais, a maior da história da CBF em um ano.

É amigos, esta é a entidade que se omite de qualquer participação nos custos junto aos clubes da implementação e manutenção do sistema de árbitros de vídeo. O balanço financeiro de 2017 será divulgado ainda esse ano.
                                     
Expectativa do balanço financeiro 2017 é que receita alcance 1 bilhão de reais (Foto: BDO Brazil)

Impressionante como o futebol consegue dentro do seu universo ser um reflexo do que acontece no país, são os retrocessos sociais, e retrocessos no futebol. Se por um lado temos o primeiro presidente ficha suja da história do país, por outro, temos um presidente da CBF que não sai do país por já ser investigado em outros países, se o atual governo tem tomado medidas que retrocedem cada vez mais a vida dos brasileiros, por outro, vemos a CBF se omitindo em decisões como essa que poderiam trazer algo que há muito tempo falta no futebol brasileiro. Credibilidade.

É amigos, eu também gostaria que o futebol fosse um país a parte, onde o espirito esportivo, coletivo e tantos outros que fazem desse o melhor esporte do mundo reinasse, eu moraria nele.

Escrito por Mateus Lopes


Santa empate no fim contra o Luverdense fora de casa

quarta-feira, 12 de julho de 2017 0 comentários

                                              Santa empata fora de casa na série B

O Santa Cruz perdeu 2 jogadores as vésperas do jogo contra o Luverdense no Mato Grosso, o lateral Nininho sentiu dores e fucou de fora da partida, houve outro desfalque de última hora o lateral Roberto recebeu proposta da Chapecoense para disputar a Série A com o seu ex treinador Vinicius Eutrópio, o mesmo em negociações acabou não indo para a partida.
Em um jogo muito disputado no Estádio Passo das Emas, Luverdense e Santa Cruz não saíram do empate e se acabaram se movendo pouco na tabela da Série B do Campeonato Brasileiro. Os donos da casa estiveram na frente do placar em duas oportunidades, mas cederam o empate e agora já estão há quatro jogos sem vencer. Sérgio Mota marcou para a equipe do Mato Grosso e Augusto e Bruno Silva para os pernambucanos
Logo com 15 minutos de jogo o Santa ja levou o gol contado com falha dos volantes na proteção das jogadas, é notória a carencia de um meia para criar as jogadas ou seja encorpar ainda mais o elenco se realmente pensa em acesso no inicio do segundo tempo empatou logo de cara com passe perfeito do William Barbio para Augusto marcar um golaço, porem tomou o segundo gol em falha clamorosa do goleiro Julio Cesar, Givanildo mecheu na equipe com a esperança de conseguir o empate foi pra cima de certa forma desorganizada deixando brechas para contra ataques, porém mesmo assim o time coral conseguiu no fim um pênalti cobrado por Bruno Silva que empatou dando números finais a partida em 2 x 2.







Ficha Técnica :
 Santa Cruz : Julio Cesar,G. Vallés , Bruno Silva,Jaime,Tiago Costa,W.Cesar, Derlei , João Paulo,W. Barbio, Ricardo Bueno e Augusto.

Técnico : Givanildo Oliveira

Campeonato pernambucano de futebol de 7 garante calendário cheio para as equipes

terça-feira, 27 de junho de 2017 0 comentários




Torneio começa em julho e termina em dezembro

No dia 9 de julho, 36 equipes começarão a disputa do Campeonato Pernambucano de Futebol 7, nas séries A, B e C. Serão doze times em cada divisão, subindo dois e descendo dois ao final da temporada. O torneio vai até 3 de dezembro, garantindo assim, calendário cheio para as agremiações envolvidas. 

A edição de 2017 será ainda mais interiorizada, com equipes de Vitória, Toritama, Timbaúba, Carpina, entre outros, além dos times da Região Metropolitana. O presidente da Federação, Omar Brito, espera que o campeonato seja o mais disputado dos últimos anos. "O nível está muito alto. Na Série A, tem os times tradicionais, que não vão querer perder. A Série B vem muito forte, principalmente com o Arena S2, que recentemente foi campeão da Taça Pernambuco. E a Série C, é um piloto com times que estouraram idade do sub-17, que promete ser muito interessante", disse. 

Para popularizar mais o esporte e o campeonato, estão sendo trabalhadas ideias para divulgação, como jogos ao vivo, transmitidos pelo Facebook e cobertura com fotos e matérias. E não só para o adulto, para o Campeonato de base também, que terá cinco categorias, com mais de 60 equipes.

Sistema Tático: Junior Câmara revela busca constante por resgatar e implantar conceitos da essência do futebol brasileiro, destaca o trabalho realizado pelo Sport nas categorias de base e afirma:"O futebol brasileiro precisa de pessoas que tenham conhecimento e coragem para realizar as suas ideias"

segunda-feira, 19 de junho de 2017 0 comentários

Foto:Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Estudioso, articulado, persuasivo, corajoso e convicto, o técnico Junior Câmara vem sendo destaque no comando das equipes de base do Sport. Desde que começou a treinar o Sub-13 em 2013, Junior foi promovido ano após ano até chegar no Sub-20 em 2016. Na temporada passada comandou os "meninos da Ilha" na caminhada até a final da Copa do Brasil sub-17. O time rubro-negro conseguiu elimininar Bahia, São Paulo, Flamengo, Fluminense, ficando com o vice-campeonato ao ser derrotado pelo Corinthians na final. Mas o fato de chegar a final da Copa do Brasil e eliminar times com tradição nas categorias de base não foram os principais feitos dos pernambucanos. O mais importante foi a forma como isso tudo aconteceu. O time comandado por Junior Câmara apresentou conceitos modernos, jogava um futebol vertical, apoiado, com perde-pressiona instantâneo, zagueiros construindo as jogadas, pontas jogando por dentro, laterais atuando como volantes, marcando com linhas altas... E esse futebol foi capaz de levar ao estádio da Ilha do Retiro milhares de pessoas ansiosas para torcer pelo time de coração, mas principalmente, atraídas para ver de perto o time que transpirava a essência do futebol brasileiro, tão falada mas pouco praticada em um país que outrora foi o pioneiro. 

A notoriedade e admiração conquistadas com as boas apresentações na Copa do Brasil Sub-17 aumentaram o "sarrafo" e, trouxeram embutidas pressões e cobranças por um desempenho superior ou, ao menos, similar ao realizado anteriormente na competição nacional. Junior Câmara revelou que tem total confiança da gestão do Sport nessa nova etapa profissional, que colocou a sua vida profissional em risco para encantar o Brasil ao resgatar a essência do futebol brasileiro e se emociona ao falar do jogo contra o São Paulo.

"Apesar dos resultados não virem neste início de trabalho, os gestores estão considerando o trabalho de alto nível. A busca pela essência do futebol brasileiro, foi  um fator que impulsionou a virar treinador e não vou abandonar as minhas ideias e convicções. Se as pessoas falassem que o meu trabalho foi muito bom apenas porque foi vice-campeão da Copa do Brasil Sub-17, não estaria pleno, tendo em vista que muitos conseguiram ser campeões da competição com um futebol paupérrimo, sem formar ninguém e apenas de uma forma utilitária. O que me traz felicidade não é ser vice-campeão da Copa do Brasil, mas sim, o fato de que conseguir jogar com as melhores equipes do país e meu time fez 24 gols. E sabe-se que o Sport nas categorias de base não era referência no cenário nacional e marcamos 24 gols contra Flamengo, Fluminense, São Paulo, Bahia e Corinthians. Além disso, colocamos de forma inédita 4 jogadores de uma mesma equipe na seleção brasileira da categoria. Vou além, atrair 24 mil torcedores para assistir um jogo de Sub-17 à noite... isso só me diz uma coisa: ‘eles tinham prazer de ver aquele time jogar’. E isso até hoje me emociona. Porém, sei que o sistema é opressor, sou oprimido todos os dias por querer inovar e implantar ideias novas. Mas tenho lutado com todas as forças, pois a cada 1 pessoa, 100 mil vão defender o seu próprio trabalho e não vão assumir riscos. E coloquei a minha vida em risco para poder fazer 24 gols. Podia ter tomado 10 gols do São Paulo na Ilha, mas tentei virar o jogo e conseguimos vencer por 5 a 4", desabafou com os olhos cheios de lágrimas.

Recém promovido ao Sub-20, o treinador rubro-negro tem como filosofia norteadora de trabalho uma citação de Guardiola. Para Junior, no Brasil existem bons profissionais, porém quando estão sob situações de risco deixam as suas ideias e convicções de lado para executarem ideias de senso comum e permanecerem no cargo.

"Uma citação de Pep Guardiola traduz bem o meu sentimento:'Perca com as suas ideias, não perca com as ideias dos outros'. O que falta ao Brasil hoje são pessoas com coragem. Nos times de base dos times brasileiros nós temos grandes treinadores. Tenho amigos que não devem a ninguém da Europa, mas que quando chegam em uma situação crítica não têm a coragem de segurar as suas próprias ideias", afirmou Junior Câmara.

Em alta, base do Sport aos poucos vai retomando espaço perdido no cenário brasileiro - liderada pelo Gestor Executivo das categorias de base, Genivaldo Cerqueira - fruto de uma boa gestão, um planejamento estratégico minucioso e bem executado, juntamente com profissionais de qualidade. O efeito pode ser visto no ótimo desempenho dos leoninos nos campeonatos de base e também nas convocações para as seleções de base. Na temporada passada o Leão conquistou o Campeonato Pernambucano em todas as categorias (Sub-13,Sub-15,Sub-17 e Sub-20), além disso conseguiu a melhor campanha na Copa São Paulo (5º posição), semi-finalista da Copa do Brasil Sub-20 e vice-campeão da mesma competição na categoria Sub-17. Na visão de Junior Câmara, o Sport tem colhido os frutos por realmente apresentar um trabalho voltado para formção de atletas.

"A formação de atletas do Sport é diferenciada. As bases do Sul-Sudeste do país possuem um trabalho mais facilitado, devido a contratação de jogadores. E aqui no Sport, não compramos jogadores. Nós recrutamos jogadores de regra geral Nordestinos, com problemas educacionais e com níveis de desnutrição e vamos formá-lo do zero. Eu diria que o trabalho de base do Sport, é realmente um trabalho na essência de base. No Sul-Sudeste o trabalho de base é misturado com o de alto rendimento", destacou o treinador.

Nessa entrevista exclusiva ao Blog Lugar de Esportes, Junior Câmara ainda falou sobre como surgiu a vontade de trabalhar com futebol, as ideias e conceitos de jogo que visa implantar no Sport Sub-20, a diferença entre ideias ricas e pobres, necessidade de técnicos e jornalistas estudarem, gestão dos clubes brasileiros, caminhos para manter a identidade do futebol brasileiro, formação de jogadores, o potencial do atacante Juninho, experiência na seleção brasileira e teorias acadêmicas. Além disso, revelou que considera Fernando Diniz, Pep Guardiola e Jorge Sampaoli os seus mentores futebolítiscos. 


Confira a entrevista na íntegra abaixo:


Da campanha da Copa do Brasil Sub-17 para cá, você ganhou notoriedade com a torcida. Porém, como iniciou isso tudo? Como surgiu a vontade de trabalhar com futebol? Como foi essa escolha?
Tem um livro hoje que é fundamental para mim: “Futebol jogado com ideias”, do Professor Israel Teoldo. Fiz a Pós-Graduação com ele na Universidade de Viçosa em Minas Gerais e, hoje é um amigo pessoal. A gente já discutiu muito sobre isso, pois o futebol é uma expressão cultural e nasce de ideias. Ideias estas, que vão diferenciar uma pessoa da outra. Eu nasci em Casa Amarela, bairro muito humilde e que tinha muitos campos de várzea. E desde pequeno estava inserido em um contexto que contemplava tanto o futebol quanto os campos de várzea. Naquela época o futebol brasileiro ainda trazia muito da sua identidade na década de 1980. Fui um torcedor que acompanhei aquele futebol e ele sempre me motivou a estar neste esporte de alguma forma. Porque aquilo diferenciava o meu país de qualquer outro no mundo. Aquela identidade era uma expressão cultural, que era expressada através de um esporte, mostrava a nossa liberdade, a criatividade, o jeito brasileiro de resolver as coisas. E eu determinei que queria trabalhar com futebol. Tentei ser jogador, joguei pela Universidade e pratiquei Futsal por um tempo. No nível profissional tentei jogar nos grandes clubes de Pernambuco, mas não consegui. E por não querer me submeter a jogar em equipes menores, então decidi estudar para ser preparador físico, treinador ou qualquer outra coisa relacionada com o futebol. Fiz quatro anos e meio de Licenciatura em Educação Física na Universidade de Pernambuco (UPE). Comecei a estagiar em equipes de Futsal como Preparador Físico. Naquele tempo existia uma “regra cultural” que para ser treinador tinha que ser ex-jogador. Passado um ano, as pessoas que trabalhavam comigo começaram a externar que eu tinha o perfil para ser treinador. Foi quando comecei a comandar algumas equipes de Futsal, até que em 2011 fui eleito o melhor treinador do Estado de Pernambuco na modalidade. Em seguida recebi uma proposta do Sport para assumir o time Sub-13 de campo, aceitei e hoje estou no Sub-20. Mas o que me motivou a ser treinador foi aquele futebol (da década de 1980) que era praticado. Se eu não consigo praticar aquele futebol, eu não me sinto pleno. Por mais que eu consiga vencer uma partida de futebol e, é possível vencer com ideias pobres.

Em 2016, comandando o Sub-17, o Sport fez uma campanha histórica. Vice-campeão, tendo o melhor ataque, 4 jogadores convocados para a seleção brasileira da categoria. Afinal, dá para conciliar a alta competitividade que busca resultados em qualquer competição disputada e a formação adequada dos jogadores jovens?
Dá para fazer sim! Mas temos que entender que na base é bem possível que isso não aconteça com certa regularidade. Vou te dar um exemplo prático: o meu time Sub-17 foi todo desmontado. Muitos foram para o Profissional e outros foram negociados e aqueles jogadores que atuavam no terço final de campo não fazem mais parte desse elenco. Hoje, nós não temos atletas naquelas características, mas mesmo assim continuo tentando treinar os atletas para propor o jogo. Entretanto, tenho encontrado muitas dificuldades pois estou jogando com equipes que se aproveitam dessa forma na qual jogo e descem as linhas, diminuem os espaços do campo e jogam no contra-ataque por uma bola e ganhar de mim por 1 a 0. E todo mundo vai dizer que ele é melhor que eu. Mas se você tiver uma gestão com clareza, ela vai dizer que não interessa o resultado, mas sim, os jogadores formados com qualidade.

Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife
Ele não é o monstro que muitas pessoas quiseram desenhar. E se ele alcançou muitas metas com apenas 18 anos, o que esperar quando atingir o auge da maturidade? O topo. Claro, se tudo caminhar como vem caminhando.

O Sport Sub-17 tinha um conjunto extremamente azeitado, organizado e que saltava os olhos a qualidade com e sem a bola. Mas individualmente um jogador se destacou dos demais: Juninho. Sendo responsável por uma parte da formação do atacante, como você avalia as características, o potencial e o crescimento do atleta ao longo destes anos no Sport?
Eu criei uma cobra. Pois depois que se revela Juninho ninguém vai querer menos que isso, né?! (risos). Mas na verdade para que acontecesse a revelação de Juninho não teve apenas a minha intervenção, e sim, diversos fatores desde a realização das observações com o nosso Observador Técnico, João Maradona, até os trabalhos sob a minha supervisão. Quando Juninho chegou aqui era um jogador que detinha muito potencial, apenas dei estímulos a ele. E o atleta comprou a ideia. Ele é um atleta que dificilmente se encontra. Um jogador desse nível vai chegar em um clube de futebol a cada 2,3 anos. Ele tem características de meia e de atacante e é muito raro se encontrar isso. Ele é um jogador praticamente completo. A única dificuldade que ele apresentava era na recuperação da bola após a perda e no Profissional já teve uma melhora acentuada. Ofensivamente nunca treinei ninguém igual. E olhe que estou no futebol há 19 anos. O potencial desse garoto é absurdo! Porém é necessário ter cuidado para não exigir tanta responsabilidade de Juninho como se ele fosse um jogador maduro, pois ele completou 18 anos recentemente. E a maturidade média de um atleta está em torno dos 23 anos. O poder acentuado de decisão e finalização que ele possui nos mostra que realmente é uma joia rara a ser bem cuidada. E não tenho dúvida que vai trazer muitas glórias para o Sport. Anteriormente ele cometeu atos de indisciplinas, mas vejo hoje uma pessoa diferente, que, aprendeu a viver em coletividade, que é respeitador, solidário.... Isso é um processo natural do ser humano e à medida que ele vai evoluindo, vai entendendo a sua responsabilidade. Ele não é o monstro que muitas pessoas quiseram desenhar. E se ele alcançou muitas metas com apenas 18 anos, o que esperar quando atingir o auge da maturidade? O topo. Claro, se tudo caminhar como vem caminhando.

Cada dia mais os jogadores de base têm ganho salários astronômicos, antes mesmo de chegarem ao profissional. E isso de alguma forma influencia o psicológico. De uma forma geral como você observa esse cenário? E o quão necessário é se ter um trabalho educacional forte e um acompanhamento psicológico com esses garotos para que eles não se percam antes de chegarem ao time profissional?
Não tem como falar de futebol sem falar de cultura, sociedade e indivíduo. Antes de tratar do tema futebol é preciso entender como é a cultura brasileira, como esse indivíduo é formado e em que nuances a formação dele acontece. Normalmente o jogador de futebol brasileiro é formado em ambientes de classe social baixa. Outro problema é que em alguns casos eles não têm nem a mãe e nem o pai presente. Eles são criados nas ruas, soltos, com liberdade e aprendendo o futebol de rua. E em muitos casos esses meninos vão aprendendo coisas que não seriam boas para eles aprenderem nesse período. A gente sabe que a rua traz coisas boas, mas traz também coisas ruins. Ele vai ser formado em um ambiente, onde a capacidade motora dele vai ser mais desenvolvida do que a média. Tendo em vista que a média não é criada na rua, e sim, composta de crianças mais “presas” que buscam escolinhas para jogar futebol. Já o menino que é criado em uma comunidade – ambiente mais simples – consegue explorar o seu corpo de uma forma riquíssima. E isso faz com que ele crie um autoconhecimento do próprio corpo acima da média e de posse desse conhecimento à medida que ele vai tendo contato com qualquer esporte, ele vai tendo facilidade em aprender aquele esporte pois o corpo dele já experimentou muitos movimentos. Só que atrelado ao desenvolvimento acima da média e o destaque quase que instantâneo vem a admiração das pessoas de onde ele vive. As pessoas já o tratam diferente e oferecem coisas, muito em virtude dele trazer benefícios de alguma forma. O pai e a mãe geralmente são muito pobres e começam a ver no filho uma possibilidade de mudar de vida e isso acontece de forma padrão com os meninos que tenho aqui no Sport. Se eu tenho 40 atletas, 35 possuem essa mesma história. Então, desde pequeno ele tem pai, mãe, irmão, tio, tia, primo, tudo em cima dele e vendo-o como a salvação para todos os problemas da família. Desde cedo ele é visto como um adulto em miniatura que vai gerar renda. Então o que o pai e a mãe puderem fazer para que ele seja jogador, eles vão fazer. Por exemplo, não fazer questão que o menino vá a escola. Pois no pensamento deles o menino não precisa ir para escola, precisa apenas jogar futebol e ganhar dinheiro. E se o jovem tem um ato de disciplina e é retirado do jogo ou treino, os pais querem-no tirar do clube. Pois para eles o filho não está no clube para ter uma formação, mas apenas, para ser jogador. E a própria família e o empresário transmitem esse pensamento ao atleta. O treinador em contrapartida está amarrado no processo, pois quer disciplinar, mas se ele assim o fizer pode ser chamado a atenção porque aquele jogador é o diferente do time. Com isso, esse jogador vai entendendo que ele tem uma proteção e vai desrespeitando todas as pessoas até chegar no profissional. No Sport é diferente, temos uma estrutura muito boa e que nem todos clubes possuem. Os atletas possuem acompanhamento dos psicólogos todos dias, temos Assistente Social nas escolas realizando um acompanhamento completo dos atletas. E caso ele falte a aula a Assistente saberá, nos repassará e o jovem não realizará o treinamento. Se algum problema for identificado com o atleta, a família é prontamente chamada para ter uma reunião com a Assistente Social e o Psicólogo do clube. Além disso, os jogadores têm acompanhamento de nutricionistas, dentistas, médicos... O Sport tem uma estrutura, mas que não é a realidade do país. Acredito que, se muito, 20% dos clubes possuem uma boa estrutura para os jovens.

Foto: Sport Club do Recife
Hoje eu posso dizer que a gestão do Sport é diferente. E o próprio gestor executivo das categorias de base, Genivaldo Cerqueira, afirmou que o clube não quer resultado, e sim, grandes jogadores como tenho levado ao Profissional
Como funciona o pensamento da Gestão das categorias de base do Sport no que tange ao modelo de jogo implantado? Eles têm dado liberdade para você implantar as suas ideias ou a cultura do imediatismo tem te forçado a abandonar as suas ideias? 
A formação de atletas do Sport é diferenciada. As bases do Sul-Sudeste do país possuem um trabalho mais facilitado, devido a contratação de jogadores. E aqui no Sport, não compramos jogadores. Nós recrutamos jogadores de regra geral Nordestinos, com problemas educacionais e com níveis de desnutrição e, vamos formá-los do zero. Eu diria que o trabalho de base do Sport, é realmente um trabalho na essência de base. No Sul-Sudeste o trabalho de base é misturado com o de alto rendimento. Hoje eu posso dizer que a gestão do Sport é diferente. E o próprio gestor executivo das categorias de base, Genivaldo Cerqueira, afirmou que o clube não quer resultado, e sim, grandes jogadores como tenho levado ao profissional. Mas a gente sabe que ao redor dos gestores existe uma cultura do resultado muito pesada por parte da imprensa e torcedores. Não é uma relação fácil. Apesar dos resultados não virem neste início de trabalho, os gestores estão considerando o trabalho de alto nível. A busca pela essência do futebol brasileiro, foi  um fator que impulsionou a virar treinador e não vou abandonar as minhas ideias e convicções. Se as pessoas falassem que o meu trabalho foi muito bom apenas porque foi vice-campeão da Copa do Brasil Sub-17, não estaria pleno, tendo em vista que muitos conseguiram ser campeões da competição com um futebol paupérrimo, sem formar ninguém e apenas de uma forma utilitária. O que me traz felicidade não é ser vice-campeão da Copa do Brasil, mas sim, o fato de que conseguir jogar com as melhores equipes do país e meu time fez 24 gols. E sabe-se que o Sport nas categorias de base não era referência no cenário nacional e marcamos 24 gols contra Flamengo, Fluminense, São Paulo, Bahia e Corinthians. Além disso, colocamos de forma inédita 4 jogadores de uma mesma equipe na seleção brasileira da categoria. Vou além, atrair 24 mil torcedores para assistir um jogo de Sub-17 à noite... isso só me diz uma coisa: ‘eles tinham prazer de ver aquele time jogar’. E isso até hoje me emociona. Porém, sei que o sistema é opressor e sou oprimido todos os dias por querer inovar e implantar ideias novas. Mas tenho lutado com todas as forças, pois a cada 1 pessoa, 100 mil vão defender o seu próprio trabalho e não vão assumir riscos. E coloquei a minha vida em risco para poder fazer 24 gols. Podia ter tomado 10 gols do São Paulo na Ilha, mas tentei virar o jogo e conseguimos vencer por 5 a 4 (com os olhos cheios de lágrimas). Uma citação de Pep Guardiola traduz bem o meu sentimento:'Perca com as suas ideias, não perca com as ideias dos outros'. O que falta ao Brasil hoje são pessoas com coragem. Nos times de base dos times brasileiros nós temos grandes treinadores. Tenho amigos que não devem a ninguém da Europa, mas que quando chegam em uma situação crítica não têm a coragem de segurar as suas próprias ideias. 

Um clube de futebol estruturado como o Sport deve ter um modelo de jogo definido que se reproduz em todas as suas categorias, das escolinhas até as suas equipes profissionais? Você acredita que falta ao Sport ter essa identidade e tentar replica em todas as suas categorias?
No Brasil não tem como replicar o modelo que é realizado na Europa. Na Europa ele dá certo porque as coisas são determinadas pelos próprios clubes, então o treinador do profissional é contratado para executar o que foi planejado. No Brasil é diferente. O técnico é contratado para criar o modelo, ou seja, ele vai planejar e explanar as diretrizes a serem executadas para que haja a execução do modelo proposto. Por isso, no Brasil não tem como. A base vai formar um jogador seguindo um estilo de jogo e quando chegar no profissional o treinador vai dizer que está tudo errado. Então o que resta a formação de base do Brasil é disponibilizar uma formação o quanto mais vasta possível para o atleta. Com isso, eu não posso ficar restrito a um modelo de jogo. Portanto, tenho que ensinar o meu atleta a sair jogando, mas também a brigar pela segunda bola pois pode acontecer de ele ser vendido para um mercado que tenha essa proposta. Ou até mesmo que o técnico do Sport Profissional encontre na segunda bola uma estratégia de jogo. Por isso, aqui no Sport nós formamos os atletas para qualquer tipo de mercado e estilo de jogo. Eu defendo que as categorias de base brasileiras sejam ricas em conceitos e diversificada ao máximo possível e, além de contar com treinadores acadêmicos, acho interessante ter nas comissões técnicas ex-jogadores para que eles possam contribuir com vivências profissionais. Pois o quanto mais rica forem as experiências que os atletas tiverem contato, mais jogadores com soluções diferentes vamos obter. 

Foto: Torcedores.com
Tem muita gente nas categorias de base se aproveitando da não formação da gestão para fazer coisa em benefício próprio e destruindo a vida de muitos atletas. É uma realidade triste e que continua acontecendo Brasil afora.

A nossa fonte natural de formação de jogadores de futebol (“pedagogia da rua”) está diminuindo. Na sua visão quais seriam as saídas para continuar desenvolvendo e lapidando jovens promessas? E por que?
O nosso maior problema está na gestão. Claro que existem alguns clubes no Brasil que têm uma administração boa, como é o caso do Sport. Mas como um todo, o mal do futebol brasileiro é a gestão. É como um iceberg, só enxergamos a pontinha dele, mas ele é muito maior do que está no nosso campo visual, pois a maior parcela está embaixo d´água. Então sempre achamos que o problema está na tática, na técnica ou no que se está observando. E não é sempre assim. Na hora que a gestão de futebol não entende de formação e de ser humano, ela não pode desenvolver um bom atleta. Porque ela vem com o conhecimento do profissional. E as relações entre futebol profissional e base são quase zero. Pois no profissional trabalha-se um jogador com a formação praticamente completa. Na base procura-se construir e desenvolver o jogador. Para se ter uma ideia, nas categorias de base em alguns momentos é muito melhor a derrota em vez da vitória. Pois a derrota irá trazer ensinamentos que a vitória não traria. Colocar um atleta que é destaque no banco de reservas em um jogo decisivo e, perder para que ele se sinta um pouco culpado pela derrota por ter mostrado uma sucessão de indisciplinas; vai favorecer a formação do caráter dele para que no futuro seja um grande jogador. Mas como estamos focados nos resultados, vamos deixando passar os atos de indisciplinas, deixando os atletas caminharem de qualquer jeito, pois o que queremos é vencer. É bem possível que um clube conquiste títulos, mas não forme ninguém, ou não tenha tantas conquistas e forme 3 ou 4 jogadores para o time profissional. O nosso torcedor não entende isso, pois ele não foi formado para isso. Quando a torcida vem ver um time de base jogar, se a equipe não está vencendo para ele está tudo errado. Mas ele encontra-se com o raciocínio do futebol profissional. Quando se tem um trabalho que vise desenvolver jogadores para o time profissional, para a Europa, seleção Brasileira, e como queremos desenvolver atletas desse nível temos que ficar com a bola por muito tempo. Temos que propor o jogo. E vão acontecer muitos erros ao propor o jogo tendo um jogador imaturo. Mas é justamente isso o diferencial. Pois muitos percebem que vão errar bastante e preferem não ter a bola para vencer. Tem muita gente nas categorias de base se aproveitando da não formação da gestão para fazer coisa em benefício próprio e destruindo a vida de muitos atletas. É uma realidade triste e que continua acontecendo Brasil afora.

Jogo apoiado, aproximação, passes curtos e rápidos, criação de linhas e zonas de passe, superioridade numérica no setor da bola. Qual a importância disso na sua forma de pensar futebol? É algo muito treinado? Como você tem cobrado e estimulado isso com este grupo novo de atletas?
O mais difícil é treinar comportamento para só depois fazer um jogo posicional. Mas não adianta nada desempenhar funções sem que exista o comportamento. Então, treino muito comportamento. Defino comportamento como uma ação padronizada que o atleta realiza, independente da minha presença. Após estabelecidos os comportamentos, há a distribuição de funções defensivas e ofensivas na equipe. Na hora de ensinar futebol, divido nas fases do jogo: organização ofensiva e defensiva. A palavra organização já me diz que a equipe está pronta para realizar algo, ou seja, a organização ofensiva significa que a minha equipe já está toda preparada para atacar. Na defensiva, a equipe está preparada para defender. Além dessas, existem mais três fases: a transição ofensiva, defensiva e a bola parada. Cada semana eu escolho duas fases para treinar. Normalmente escolho organização ofensiva com transição defensiva pois elas têm uma relação intrínseca. Na verdade, tudo acontece ao mesmo tempo no futebol. A gente só separa por uma questão didática. Mas a lógica é mais ou menos a seguinte: ao ter a bola os jogadores têm que responder três perguntas norteadoras, o que fazer? Por que fazer? E como fazer? Nos treinamentos meus zagueiros dificilmente vão dar passes para o lado e para trás, pois eles sentem vergonha e se cobram para que isso não aconteça. Se há um erro de passe, eles precisam ter um comportamento de não recuar, não andar, não reclamar, e sim, de retomar a bola perdida. No futebol brasileiro existe uma cultura inversa, se faz tudo menos recuperar a bola. Recuperando a bola o time tem que tirar a bola da zona de pressão, pois naquele local pós-recuperação é bem possível que esteja com muita gente próximo a bola e se o atleta tentar tocar curto ou driblar, vai ficar no perde-ganha com o adversário. Então, ao recuperar faz o passe para o goleiro e inicia a construção da jogada. Também dou muita ênfase para pressionar o portador da bola, que, nada mais é que um jogador pressiona e os outros fecham as linhas de passe mais próximas. E tudo isso que estou falando é comportamento. E como se treina isso? Com repetições e conscientizações. Em trabalhos analíticos? Não. Em forma de jogo. Normalmente divido os jogadores em três equipes e crio jogos para atingir determinados objetivos. Se quero trabalhar recuperação da bola pós-perda, crio uma situação onde induzo para que haja essa recuperação. Se não há a recuperação a equipe sai e entra outra. Ao treinar, os comportamentos passam a fazer parte do atleta. 

Sua ideia de modelo de jogo exige uma transformação muito grande tanto nos comportamentos individuais como coletivos do elenco rubro-negro. Quais são essas dificuldades neste pouco tempo de trabalho? Aonde acha que a equipe ainda precisa evoluir?
É um período de reformulação, visto que muitos atletas foram para o profissional. E estamos passando por um momento de procura pelo melhor modelo de jogo. Entendo aqueles técnicos que dizem que o modelo de jogo tem que servir aos atletas e não o contrário. Tenho os meus ideais, mas os atletas que tenho não possuem as características que conseguem desenvolver um determinado modelo. Com isso, estou procurando fazer ajustes para continuar sendo ofensivo sem descaracterizar da minha ideia, mas diminuindo o grau de risco assumido. Portanto, o torcedor pode esperar um Sport mais reativo, uma equipe na qual vão se destacar muito mais jogadores de beirada e atletas de armação em detrimento a atletas de terço final de campo. Porque antes o time era muito bom pelo corredor central e, agora a maior força está pelos lados de campo com jogadores de velocidade e de força.


Em cima da sua resposta de que o modelo tem que atender aos jogadores e não ao contrário. Marcelo Bielsa na 2º Semana de Evolução do Futebol Brasileiro realizada pela CBF, afirmou que tenta de todas as formas que os jogadores se adequem ao seu modelo de jogo. Você concorda com essa visão de Bielsa? E se no cenário tão particular como é o Brasil, dá-se para fazer o que ele propõe?
Ele está certo. Eu faço isso sempre e sigo até quando vejo que não dá. Nesses três primeiros meses tentei fazer com que esses atletas jogassem no modelo de jogo que eu gosto. E isso gerou dois empates contra América-PE e o Sub-17 do próprio Sport e percebi que íamos sofrer de mais se continuasse com essa ideia na sua totalidade. No último amistoso, dos 90 minutos, a bola ficava conosco 80 minutos. Mas sempre que chegávamos no terço final as equipes se encontravam muito retraídas e em alguns momentos a minha equipe ofertava o contra-ataque fatal no 1x1. Contra o Vera Cruz acabou o primeiro tempo 2x2 com o Sport muito superior. Desci para o vestiário, conversei com os atletas e disse a eles que iríamos fazer um jogo apenas para vencer. Com isso, recuei as duas linhas de 4 para antes do meio-campo e dei a bola ao adversário. Com 10 minutos do 2º tempo já estava 6x2 para o Sport. Pois o futebol é uma gestão de bola e espaço. E se o time tem a bola o jogo todo, provavelmente irá dar o espaço ao adversário. Ao ter a bola muitas vezes os times acham que estão com o controle da partida, mas não estão. Porque o adversário está controlando o espaço e controlar a bola é mais difícil. E mesmo vencendo e marcando 4 gols os atletas pediram para não jogar dessa forma. Observe o nível de consciência que os atletas estão desenvolvendo nas categorias de base do Sport. E prontamente falei a eles que não vamos jogar dessa forma. Porém eles (jogadores) vão estar treinados para em alguns momentos tirar as equipes da zona de conforto, ou seja, fazer um jogo mais reativo. Então, vou procurar fazer com que os adversários saiam do conforto e depois que fizermos o primeiro gol, a equipe voltará a jogar de acordo com as minhas ideias.

Foto: Reprodução/Guiame
Existem treinadores que acham que o atleta crítico é falta de respeito. Porém, o que é necessário fazer é educar os atletas para eles falarem da forma adequada. Pois muitos por não terem uma boa educação não sabem como falar. E aqui no Sport, eles estão sendo desenvolvidos para serem críticos, realizarem uma análise contrária e tudo isso com respeito ao seu superior. E dou liberdade para eles falarem comigo sobre tática e questionarem sobre a melhor solução.

O futebol é técnico e tático. Mas também é um jogo mental. Como você tem visto o trabalho de ativação cognitiva dos atletas no Brasil? Qual a importância de formarmos jogadores mais inteligentes? E como é esse processo no Sport?
Desde o Sub-13 os meninos aprendem plataformas táticas. Mas quando a gente fala de tática, muitas vezes só lembramos dos números e tática é muito além disso. Estava dando um treinamento nessa semana e na movimentação da plataforma escolhida, os jogadores passaram por vários modelos de jogo. Sempre tive o perfil de inquirir do atleta o conhecimento que ele tem. Nos treinamentos sempre pergunto, por exemplo, se a bola entrar em um setor qual a plataforma para povoar? E eles têm que me responder, pois sem a resposta o treino não continua. Para mim,o atleta tem que mostrar o conhecimento declarativo, pois as vezes eles dizem que sabem, mas não sabem. O meu atleta é acostumado a falar. Eu gosto de atleta crítico. Existem treinadores que acham que o atleta crítico é falta de respeito. Porém, o que é necessário fazer é educar os atletas para eles falarem da forma adequada. Pois muitos por não terem uma boa educação não sabem como falar. E aqui no Sport, eles estão sendo desenvolvidos para serem críticos, realizarem uma análise contrária e tudo isso com respeito ao seu superior. E dou liberdade para eles falarem comigo sobre tática e questionarem sobre a melhor solução. E reunimos o grupo, eles dão o seu ponto de vista e apresento o meu. Infelizmente a gente já vai para as plataformas táticas porque são elas que dão os resultados. Pois o resultado no futebol depende muito da defesa. Se quiser apenas ganhar no futebol, o mais simples a se fazer é marcar. Se um time defender bem fatalmente irá sair vencedor. O meu grande questionamento é: nas categorias de base o que é para ser feito? Se estou no Sport que gasta R$4,5 milhões por ano, o que o clube vai cobrar de mim? Quer que eu forme jogadores medíocres? Ou vai querer que eu forme jogadores de alta qualidade para irem ao profissional, serem vendidos à Europa, jogarem na seleção brasileira? Acredito que a segunda opção. E para formar jogador de altíssima qualidade só existe uma forma: é jogar como os grandes atletas atuam. Com a bola o tempo todo. Perdendo a bola e recuperando rapidamente aonde perdeu. É tendo um time que se arrisca. É tendo uma equipe, na qual os zagueiros se transformam em armadores. É uma equipe que ataca com 7 ou 8 jogadores. É uma equipe que se expõe e que coloca os zagueiros em situações desconfortáveis de mano a mano. Se eu faço com que o meu zagueiro experimente esse tipo de jogo, garanto que quando chegar no profissional dificilmente irá perder no mano a mano, pois ele foi formado para jogar no 1x1. Mas se meu time joga com sobra, formo um zagueiro medíocre, que é acomodado e só vai jogar em time pequeno.  Por isso, afirmo: os atletas hoje estão a mercê da sorte. Pois em que mãos eles vão cair para ser realizada a formação? Pois já houve atletas com potencial de seleção brasileira e nem jogador se transformou. Alcides Scaglia, grande autor do desporto, afirmava que: 'O atleta é fruto de um binômio: potencial e estímulo. Potencial é a capacidade para aprender. E o potencial é representado em recipientes pequenos, médios e grandes'. Se um atleta nasceu no Nordeste com um potencial de recipiente grande. Esse cara tem potencial para jogar no Real Madrid, no Barcelona. Porém são poucos os lugares que ele poderá ter as condições minímas de ter o seu potencial estimulado. E esse jogador vai encher 10% do recipiente e não vai se tornar jogador. Em outro cenário, surge um  atleta no Estado de São Paulo que possui um recipiente pequeno, mas que lá existem 20 clubes que realizam trabalhos dignos na base. Com isso, ele enche o recipiente. E para a nossa tristeza esse vai se tornar jogador, enquanto aquele não. Isso é muito grave! Quantos entendem de formação e estão nela? O buraco do futebol brasileiro é muito grande e profundo, não é como as pessoas estão pensando, que, ao trazer um técnico como Tite tudo vai se resolver. A gente continua formando um Gabriel Jesus, Neymar, Willian, Philipe Coutinho, Daniel Alves, sabe porquê? Pois todos esses possuem uma mente tão forte que eles não se rendem ao sistema, eles vencem o sistema. Eles são jogadores de baixa estatura, são jogadores franzinos e são jogadores muito magros na sua adolescência e, que foram preteridos na base pela maioria dos times. Neymar, por exemplo, era reserva do Sub-13 pois tinha um “grandão” que resolvia o problema. E hoje nós vemos que eles são os nossos melhores jogadores. A gente precisa ter pessoas que queiram discutir seriamente este tema, que queiram respeitar o jovem e respeitar os profissionais que se qualificaram para trabalhar com isso.

O Brasil precisa de técnicos e gestores com conhecimento e coragem para realizar as suas ideias e convicções e, assim, recuperar a essência do futebol brasileiro.

Como o próprio livro do professor Israel Teoldo fala que “O futebol é jogado com ideias”, umas são ricas em conceitos outras são pobres. Qual é o seu conceito de jogo?
Temos que partir dos pressupostos individuais de o que são ideias ricas. Na minha opinião, são as ideias que se propõe a colocar a equipe em situação de risco. São aquelas equipes que se acostumam a assumir os maiores riscos para obter os maiores benefícios que esse esporte pode proporcionar. Pois se o time não se colocar em situação de risco, normalmente não consegue adquirir os benefícios. Aí vem a pergunta por que os torcedores preterem o futebol brasileiro para assistir o europeu? Muita gente fala que é por causa do nível dos nossos jogadores. Não é! Pois constantemente existem jogadores brasileiros atuando nos times europeus. No Brasil, os torcedores se acostumaram a não consumir o bom futebol. Eles já aceitaram a cultura do futebol pobre e se contenta apenas em ganhar. Mas quando se assiste o bom futebol, aquilo lhe atrai. Pois o grau de risco que os times assumem lá fora é muito alto. Pois o zagueiro está na linha de fundo defensiva, o goleiro tocou nele, o volante recebeu na entrada da área, tem aproximação de seus companheiros e joga com um passe por dentro – um passe arriscado e que se perder a bola pode ser fatal. No Brasil o que ocorre é: se um jogador der um passe por dentro o treinador vai dizer ao atleta para não fazer isso e caso ele não obedeça irá sacá-lo do time. Boas ideias normalmente são aquelas que poucos alcançam por não terem coragem ou conhecimento para realizar. No Sport Sub-17, eu tinha jogadores como Juninho, Pardal, Caio, Elias... um time de extrema capacidade técnica, de reter a bola e ao perder recuperá-la imediatamente, as minhas ideias fluíam. No meu time os volantes e meias não armam as jogadas, quem armam são os zagueiros. O restante da equipe se coloca à frente dos zagueiros criando linhas de passes para frente, fazendo com que o meu time seja extremamente ofensivo. Normalmente a torcida vaia uma equipe que realiza passes para trás. E na maioria das vezes a culpa dos passes para trás não é culpa do portador da bola, e sim, dos jogadores que estão sem a bola a não criar as linhas de passes necessárias. O nosso primeiro gol contra o São Paulo marcou bastante. O meu volante entrou na linha dos zagueiros para fazer a saída com 3, recebeu a bola na meia-lua defensiva e realizou um passe vertical de 50m para o círculo central. Esse passe – arriscado - deixou atrás da linha da bola 6 jogadores do São Paulo e teve o benefício do gol. Outra ideia da minha equipe é ter atletas de beirada com características de meia para que eles possam vir para o corredor central, ficando com 2 meias, 2 pontas e 1 atacante neste setor e transformo os meus dois laterais em atacantes. É um jogo que oportuniza aos atletas saberem jogar de fato com a bola, desde o goleiro até o atacante. Com isso, há um desenvolvimento humano geral. O Brasil precisa de técnicos e gestores com conhecimento e coragem para realizar as suas ideias e convicções e, assim, recuperar a essência do futebol brasileiro. As ideias ricas não têm como não virem acompanhadas do alto grau de risco. E Tite aos poucos está resgatando essa identidade, pois a seleção pratica um futebol que me agrada. Ainda não está no nível da seleção de 82, mas está cada vez mais perto. 

Tendo em vista que a realidade do Brasil é de remontar a equipe a cada 6 meses, devido as janelas de transferências, fator esse que dificulta ainda mais o trabalho a longo prazo de um treinador. Qual a sua preferência tática e quais as variações que você aplica ao sistema inicial.
Ofensivamente eu não abro mão da construção com 3 jogadores. Podem ser zagueiros, laterais ou volantes. Em algumas ocasiões eu jogo com 3 zagueiros para dar uma segurança, mas esses zagueiros não têm apenas a função de defender, mas também armar as jogadas. A partir desse princípio basilar, eu tenho uma infinidade de variações táticas e de função. Em algumas partidas meus laterais são volantes, atacantes ou alas; tem jogo que os meias atuam mais avançados ou mais recuados; em algumas ocasiões os pontas jogam por fora ou por dentro; tem jogo que o atacante joga mais enfiado ou vem buscar jogo no meio-campo para fazer triangulações e tem partidas ou momentos do jogo que um dos pontas atua por fora e o outro mais por dentro.... Pois com os 3 eu dou uma maior confiança para os meus times ataquem com 7 jogadores. Além disso, com a saída de 3 a verticalização do jogo é melhor executada. Pois normalmente com a saída com 2, as linhas de passes que mais se oferecem são as dos laterais. Então, o jogo fica muito lateralizado e fica aquele jogo: zagueiro toca no lateral, lateral devolve no zagueiro, que, toca no lateral e o jogo não progride. Defensivamente gosto do 1-4-1-4-1, pois ele oportuniza cinco linhas de marcação. O que permite marcar o adversário com linha alta sem perder compactação. No 1-4-4-2, os times perdem uma linha e se quiserem realizar marcação alta vão gerar espaços nas linhas ou nas costas da defesa. E quando o adversário possui um jogo muito forte pelos lados, eu atuo no 1-5-4-1, pois eu fortaleço as minhas laterais com a diminuição dos espaços e consequentemente gerando superioridade numérica e dificultando o 1x1 do adversário.

Foto:Arquivo Pessoal

O maior aprendizado foi na parte humana. As pessoas que trabalham na Seleção Brasileira têm um nível educacional muito elevado, são pessoas que possuem um compromisso com a ética e com o ser humano.
Recentemente você foi convocado para ser auxiliar técnico da seleção brasileira Sub-17. Como foi a experiência e o que você trouxe de aprendizado?
O maior aprendizado foi na parte humana. As pessoas que trabalham na seleção brasileira têm um nível educacional muito elevado, são pessoas que possuem um compromisso com a ética e com o ser humano. O trato que os treinadores, atletas e supervisores possuem entre si é de um nível que eu nunca tinha presenciado. Um exemplo: nós iríamos começar uma análise técnica e tática de um atleta que esteve nos treinamentos. E neste momento o Supervisor se levantou da mesa e saiu da sala. Eu fiquei sem entender e perguntei ao treinador. Ele me disse que o supervisor entende que esse não é o momento para ele participar. Isso foi incrível. Pois no Nordeste as pessoas não respeitam os limites e adentram na função do outro sem competência.  O segundo ponto foi estar em um ambiente que só via pela televisão. Para mim foi mágico treinar naqueles campos da Granja Comary, conhecer a estrutura do hotel e o dia-a-dia de um jogador e treinador de Seleção. Foi tudo mágico. E por fim, pude ver como a seleção de base tem tratado com seriedade a categoria. Para se ter uma ideia, eles criaram um banco de dados, onde monitoram atletas do Brasil inteiro e geram notas para o atleta que está no banco de dados por cada partida jogada. Se um atleta de base do Sport que está no banco de dados e vai jogar pelo clube, a CBF envia alguém para assistir ao jogo e lançar uma nota. Essa nota vai sendo gerada e vai se formando uma classificação que começa no A e vai até o D.
Você nos mostra ser um profissional muito esclarecido e estudioso. Quais são suas referências? Da onde vêm suas inspirações para esse modelo de jogo?
Inicialmente tenho duas referências: Choquito e Marcelo Ribeiro. Eles me estimularam e ensinaram a enxergar o jogo de forma diferente. No futebol de campo tenho três referências: Uma nacional, Fernando Diniz e as internacionais com Pep Guardiola e Jorge Sampaoli. Eu tento trazer essas ideias que via antigamente e que hoje são reproduzidas por Pep Guardiola. Para mim é vergonhoso e é um tapa de luva de pelica que ele nos dá, ao mostrar que é possível praticar um futebol que a gente deixou para trás por falta de coragem nossa.

Qual liga no mundo você gosta mais de assistir? Existe um campeonato que te atrai mais? Por que?
O futebol que mais gosto de assistir é o espanhol, porque normalmente é um futebol vistoso. Tanto é que na seleção do mundo os 10 jogadores são do futebol hispânico e isso diz muito sobre aonde está a qualidade de um bom jogo. E o futebol Italiano, Inglês, Alemão são ligas competitivas, mas que não tenho tanta admiração. Entretanto, assisto porque existem aspectos interessantes que posso aprender. Mas quando quero assistir um jogo para me satisfazer, vejo a La Liga. A Premier League tem chamado a minha atenção ultimamente, devido a chegada de Pep Guardiola e por ele querer implantar um futebol diferente do que é praticado na cultura inglesa. No Brasil gosto de assistir as equipes dirigidas por Roger Machado, que, hoje está no Atlético Mineiro. E tenho gostado da Seleção Brasileira.
  
Após o 7 a 1, muito se cobrou dos técnicos para que houvesse uma atualização, busca por conhecimento seja por cursos ou intercâmbios em outros clubes. E emergiu duas correntes de técnicos no futebol brasileiro: acadêmicos e empíricos. Existe a necessidade de atualização? Por que?
Temos que voltar a um tema principal: as ideias. Se a ideia for apenas vencer um jogo de futebol, não necessariamente precisa de estudo. Pois o futebol é propício para nivelar por baixo. Tanto é que no basquete, handebol e vôlei não há zebras, por que? Pois normalmente não tem jeito de você distanciar o bom jogador da meta nesses esportes. No basquete, quando recua vai-se para a entrada do garrafão e fatalmente um jogador bom vai acertar uma cesta de 3 pontos. No handebol, se defende muito próximo da meta, e você sofrendo um gol vai ter que sair. No futebol, não é assim.  É bem possível que muitos treinadores que não estudam ganhem e percam e os que estudam ganhem e percam também. Se for só pelo resultado não precisa estudar. Porém, para desenvolvimento do ser humano, desenvolvimento da estética do jogo e o espetáculo que se chama futebol, é condição sine qua non (indispensável) estudar. Pois se não estudar, o futebol vai ser transformado em um jogo muito pobre. Mas não me surpreendo com esses treinadores brasileiros que não estudam e continuam ganhando. Pois entendo a essência do futebol. Futebol é um jogo que nivela por baixo, as regras dele são para isso. Em decorrência disso, o brasileiro é obrigado a ter uma TV por assinatura para assistir a jogos de boa qualidade. Nós estamos afastando o nosso torcedor. Tenho ouvido muitos torcedores falarem que não assistem ao jogo do time de coração e só querem saber do resultado, porque nesse horário irá ter jogo do Milan, Real Madrid, Barcelona.... Isso para mim é de uma tristeza sem tamanho. Por isso, enquanto a gente tiver treinador que não se capacita e apenas garante a sua competência pelo resultado, vai ser difícil. Além disso, a mídia tem um papel preponderante na manutenção desse modelo arcaico ao analisar que quem ganha é bom e quem perde é ruim. A crítica não devia ser em cima disso, e sim, em cima da performance para que possamos ter o estádio cheio, atrair investidores e para que percamos jogadores mais tardiamente.

Foto:Fernando Dantas/Gazeta Press

Para mim o melhor treinador do Brasil é Fernando Diniz.
 Pois ele fez o diferente. Ele pode ter sido rebaixado com o Audax, quase foi rebaixado com o Oeste, mas ele se arrisca. Ele pega um time pequeno e faz jogar como grande, quem faz isso? 
Quem é o melhor treinador do Brasil? E por que?
Para mim o melhor treinador do Brasil é Fernando Diniz. Pois ele fez o diferente. Ele pode ter sido rebaixado com o Audax, quase foi rebaixado com o Oeste, mas ele se arrisca. Ele pega um time pequeno e faz jogar como grande, quem faz isso? Não existe. Conseguiu ser vice-campeão Paulista jogando como grande, tendo mais posse de bola que Palmeiras, Corinthians e São Paulo. No jogo contra o Santos, foi diferente por ter um treinador experiente e entendeu que para ganhar do Audax precisava baixar as linhas. Mesmo tendo no time Lucas Lima, Renato, Gabigol, Marquinhos Gabriel, Geuvânio, Dorival baixou as linhas para jogar com o Audax repleto de jogadores desconhecidos. Isso foi incrível. E ele só foi rebaixado, devido ao grande risco que assumia e também porque as equipes entenderam que se jogar contra o Audax futebol de verdade iriam se dar mal. Fernando Diniz é comprometido com o espetáculo, ele é comprometido com as pessoas que assistem e pagam ingresso, é comprometido com os jogadores no que se refere a desenvolve-lo como ser humano. E ele enfrenta vários treinadores que não são comprometidos com ninguém, a não ser o próprio umbigo. Imagino o que ele está sofrendo e torço para que ele não abandone essas ideias, pois ele tem me inspirado todos os dias.

Um dos efeitos do 7 a 1 foi a exigência maior para que profissionais da imprensa também se reciclassem e buscassem entender melhor o funcionamento do futebol. Você acredita que isso é positivo? Por quê?
O que a gente precisa é que a mídia faça cursos e se aperfeiçoe. Pois se o profissional discute com o torcedor e eles se mantêm na mesma plataforma tem algo errado. Porquanto se um torcedor consegue entrar em um nível de discussão e se manter, a pessoa (jornalista) tem que voltar a ser torcedor. Porque um profissional de futebol tem que falar em um nível de futebol que ele não entenda, não veja e fique admirado ao assistir o mesmo jogo e não conseguir enxergar as nuances presentes em uma partida de futebol.

Em sua matriz o torcedor é passional. Mas você acredita que se o torcedor buscar ferramentas, blogs, sites que ensinem e elucidem o funcionamento do jogo facilitaria para que não houvesse uma cultura tão massificada de resultados e, consequentemente evitaria uma cobrança desmedida nos gestores o que privilegiaria trabalhos à longo prazo?
Eu acho que a gente não precisa mudar o torcedor. Futebol é emoção e se a gente tirá-la, ele vai acabar. O que a gente não pode é ter gestores, treinadores e atletas com esse pensamento. Pois se você é profissional, não se admite ser torcedor. O que temos no Brasil são torcedores que assumem uma vaga de diretor e por não saber o que está acontecendo realiza o trabalho mais prático. Por exemplo, já que está dando tudo errado eles demitem o treinador para criar um fato novo e dar uma resposta a torcida. Então, o problema não está no torcedor, e sim, com aqueles que trabalham com futebol. Quando o resultado não vem e se faz uma análise, observasse que o problema não está apenas no treinador, pode estar na gestão, nos atletas, na estrutura, no alto grau de competitividade... existem uma infinidade de variáveis e para conhece-las é preciso estudar para não simplificar um problema que é muitas vezes complexo. No futebol se contrata profissionais pelo resultado. Muitas vezes eu tenho um time que propõe, mas eu contrato um técnico que foi campeão com uma equipe que não tinha a bola.  E depois vem a pergunta: por que não deu certo? Pois ele só sabia jogar com time que não tinha a bola. E era para ter sido feita uma análise antes do perfil do treinador e do seu time. Com jogador é a mesma coisa. Contrata-se um jogador que se destaca em um time que não tinha a bola – onde ele era beneficiado pela regra do jogo, em decorrência dos adversários sempre se expor contra o time dele e ele sempre pegava a bola em progressão de velocidade e agora o atleta tem que jogar em um time que propõe, jogar entrelinhas.... Mas para jogar entrelinhas tem que ser inteligente. Não é força e velocidade, é inteligência de jogo.

O que é a teoria de Robin Hood?
É uma teoria que criei e explica didaticamente a essência do jogo de futebol e mostrar o porquê de não existir zebra nesse esporte. Pois de acordo com o meu estudo é a única modalidade que não pode ter zebra. Pois se o esporte foi construído para que ocorresse isso em grande número não é zebra. O futebol é um esporte de erro. Pois se erra infinitamente mais do que se acerta, tanto que é um jogo que tende ao zero a zero. E na teoria que desenvolvi explica um pouco, pois o futebol é um jogo feito para que as equipes inferiores ou com poucos recursos financeiros, ganhe ou tenha competitividade. É o único esporte que privilegia o pobre. Porque é um jogo que se desenvolve em um campo de extensão grande, com metas distantes e que consequentemente a bola vai ficar em condições de ser chutada pouquíssimas vezes. E para agravar ainda mais, esse jogo é composto por 22 jogadores o que aumenta em proporções consideráveis a possibilidade de a bola não chegar em condições de ser finalizada a meta. Além disso, é um esporte jogado com os pés o que não favorece o controle do implemento e por isso favorece ao maior número de erros. E para piorar, tem a regra do impedimento que afasta a bola da meta. E um agravante nas categorias de base são campos de areia ou muito irregulares, onde a bola fica viva e dificulta o domínio. Dentro dessa plataforma, se um time pequeno se organizar com apenas jogadores medianos a tendência é que ele saia vencedor.



 
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