Sistema Tático: Análise tática da derrota do Náutico no Clássico das Emoções

sábado, 6 de maio de 2017

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Mesmo o técnico Milton Cruz tendo 13 dias para treinar, ajustar posicionamentos e mostrar evolução de conceitos e ideias da equipe do Náutico, visando o confronto diante do Santa Cruz pela disputa do terceiro lugar do Campeonato Pernambucano. O que se viu na vitória dos Tricolores por 2 a 1, foi um Náutico mais uma vez letárgico, que possui dificuldades imensas em propor o jogo, posse de bola nula, sem aproximação, falta de compactação, transição defensiva lenta, marcação passiva, com momento ofensivo à base da individualidade e exagero de bolas alçadas na área.

Com conceitos e princípios de jogo mais consolidado, desde o início da partida o Santa Cruz mostrou qual seria a sua estratégia: ser reativo. Os comandados por Vinícius Eutrópio negaram espaços ao Náutico, se compactaram longitudinalmente e transversalmente, realizaram perde e pressiona e quando detinham a bola ora buscavam a transição rápida com Thomás e André Luiz pelos flancos, ora tentavam descansar com a bola e encontrar o melhor momento para realizar o arremate ao gol adversário.

Foto: Reprodução/Premiere

Com o adversário ofertando a bola, o Náutico teve que propor o jogo e mais uma vez mostrou dificuldades. Mesmo realizando uma saída com 3 jogadores para gerar superioridade numérica no setor da bola e consequentemente sair com mais facilidade o time comandado por Milton Cruz mostrou que não se sente a vontade ao ter a bola. Diante de um adversário que fecha bem os espaços, é de fundamental importância que os jogadores sem a bola se movimentem e crie linhas ou zonas de passes. E durante a partida poucas vezes isso ocorreu. Na imagem é possível observar a dificuldade do meio-campista Darlan para construir as jogadas ofensivas do Náutico. Pois os seus companheiros ficam estáticos em suas posições. 

Foto: Reprodução/Premiere

E essa foi a tônica durante a maior parte do jogo. Um time disperso, sem concentração e que não tinha proximidade. Os jogadores pouco se ajudavam em campo. O Náutico não conseguia realizar triangulações e insistia nas jogadas de vitória pessoal, ou seja, o 1x1. E como o Santa conseguia ter superioridade numérica pelos lados o time alvirrubro tinha dificuldades no terço final de campo. Como consequência, tentavam cruzamentos antecipados na área esperando que o acaso agisse. No lance abaixo, é possível observar a superioridade numérica defensiva Tricolor e também a falta de apoio dos jogadores sem a bola em relação ao portador no momento ofensivo.

Foto: Reprodução/Premiere

Nas transições ofensivas o Náutico também deixou a desejar. Com muitos toques de lado e pouca objetividade e verticalidade o Timbu pouco incomodou os tricolores que na maioria das vezes já estavam com a sua linha defensiva bem postada. E quando conseguia finalmente progredir em uma situação favorável além da defesa adversária sustentada, esbarrava na falta de movimentação, criação de linha e zona de passe à frente da linha da bola. Na imagem vê-se que Anselmo sai da área (foi uma movimentação corriqueira no jogo) e abre espaço para que Maylson infiltre na defesa adversária. Porém os jogadores não atacavam os espaços e a jogada era retardada ou a bola era perdida.

Foto: Reprodução/Premiere

Sem tanta efetividade com a bola nos momentos de transição ofensiva e ofensivo, o Náutico mostrou que a transição defensiva também não está bem. Com uma recomposição defensiva lenta, sistema defensivo desajustado, que não pressionava, que assistia ao portador tomar a melhor decisão foi assim que o torcedor alvirrubro observou o primeiro gol do Santa Cruz, assinalado pelo atacante André Luiz. No lance observasse que Thomás é o portador da bola e David lhe dá muito espaço para pensar qual a melhor jogada. Tiago Alves e Nirley estão no mano a mano com Léo Costa e Júlio Sheik e André Luiz está gerando amplitude no setor direito. Se os jogadores tivessem formado uma linha de 4, possivelmente o desajuste seria menor e o gol poderia ter sido evitado. Claramente uma falta de sincronismo defensivo.

Foto: Reprodução/Premiere

Com a derrota o Náutico precisa vencer por um gol de diferença no jogo de volta no estádio do Arruda, terça-feira (16). Mas antes Milton Cruz terá a estreia do time na Série B, diante do América-MG, sexta-feira (12), às 21h30, na Arena de Pernambuco. O treinador terá uma semana cheia para treinar, corrigir os erros e tentar encontrar os jogadores ideais para o seu modelo de jogo.

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