O futebol brasileiro, assim como, o mundial observa o confronto de duas propostas de jogo: apoiado versus reativo. Na primeira, os técnicos e times que possuem esse princípio buscam ter uma posse de bola produtiva, triangulações, proximidade, passes curtos e verticais. No segundo modelo, os times têm como proposta controlar os espaços, através do encurtamento do mesmo, superioridade no setor da bola, perde e pressiona, transição rápida e verticalização vertiginosa. E os técnicos de Figueirense e Náutico são adeptos dessas ideias de jogo. O treinador alvinegro, Márcio Goiano, que apesar de ser um ex-zagueiro, busca internalizar nos seus jogadores o desejo de ter o controle da bola. Já Waldemar Lemos, comandante do alvirrubro, prefere um time com marcação forte e transição rápida em direção ao gol.
Desde os primeiros movimentos o Figueirense buscava criar situações com superioridade numérica pelos lados para alargar a defesa alvirrubra, que consequentemente em resposta a amplitude do alvinegro, se postou com uma linha de 5 defensores (com a entrada de Maylson como mostra a imagem abaixo) nessa linha na tentativa de fechar os espaços e conter as infiltrações do adversário. Mesmo estando bem postado no momento defensivo, o Timbu sofreu um gol, devido a erros individuais de marcação de Maylson, ao dar espaço ao lateral direito, e de David - ao fechar de mais a linha defensiva e permitir a entrada de Jorge Henrique na segunda trave.
Após o gol o Náutico tentou se impor e igualar o placar. Entretanto, além de um adversário bem montado defensivamente, esbarrou na falta de movimentações e criações de zonas e linhas de passe. Em muitas oportunidades foi possível ver essa imagem abaixo. O time Pernambucano tentando construir as jogadas desde o campo defensivo, por intermédio de Darlan (jogador responsável por iniciar as jogadas) e o Catarinense fazendo um cinturão com 4 jogadores para dificultar a saída de bola do adversário, obrigando o Náutico a ficar girando a bola de um lado para o outro sem conseguir achar um espaço, isso fica visível quando olhamos a porcentagem de acertos de passes do time na partida: 88% (264 passes certos). Com isso, o Figueirense mantinha o Náutico longe do seu campo e estava mais perto da baliza adversária, se conseguisse roubar a bola.
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| Foto: Reprodução/Premiere |
Sem aproximação dos jogadores, o time comandado por Waldemar Lemos sofria para dar sequência nas jogadas. O Figueira assim que perdia a bola realizava o "perde e pressiona", ou seja, os jogadores que estivessem perto de onde a bola foi perdida, imediatamente buscavam recuperá-la. No lance abaixo, observasse que Cal Rodrigues está em desvantagem numérica, pois o time alvinegro tinha superioridade no setor e sem aproximação e apoio dos jogadores, no meio de 4 jogadores adversários o meio campista do Náutico é facilmente desarmado.
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| Foto: Reprodução/Premiere |
Quando finalmente conseguia passar pelo "cinturão" alvinegro e tirar a bola da zona de pressão, o Timbu encontrava mais dificuldades. Diante da pouca movimentação para criar linhas de passes ou gerar profundidade, o time alvirrubro era presa fácil para a marcação do Figueira. O time de Márcio Goiano se defendia com duas linhas de 4, com marcação por zona com perseguições curtas no setor, ou seja, cada jogador do time alvinegro encaixava em algum jogador do Náutico para fechar os espaços e dificultar a progressão da jogada.
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| Foto: Reprodução/Premiere |
Se sem a bola o Figueirense era impecável, quando detinha o controle dela pôs em prática tudo o que era treinado pelo técnico Márcio Goiano. O time construía as jogadas desde o seu campo defensivo. Fazia uma saída de 3 (Figura 1), onde dois jogadores abrem na lateral e um centraliza, assim gerando superioridade numérica e facilitando a transição ofensiva. Outro princípio bastante utilizado pelo Figueirense era a triangulação pelos lados direito com o lateral Dudu, o meia Zé Antônio e o atacante Jorge Henrique (Figura 2) e pelo lado esquerdo com o lateral Iago, o meia Robinho e o atacante Luidy. Sempre com superioridade no setor, as jogadas pelos lados levavam perigo a defesa alvirrubra. E a aproximação dos jogadores foi refletiva nas estatísticas de passes certos. No total, trocou 491 passes, tendo um aproveitamento de 93% (458 passes certos). O controle da bola foi tamanho que em intervalos de 5 minuto a posse de bola do time alvinegro ultrapassava os 80%, segundo dados do Footstats, evidenciando a boa execução do estilo de futebol apoiado.
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| Foto: Reprodução/Premiere (Figura 1) |
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| Foto: Reprodução/Premiere (Figura 2) |
Com problemas no momento defensivo e na transição defensiva, o Náutico seguia cedendo muitos espaços para o Figueirense, que conscientemente alargava o campo com o lateral direito Dudu e ora com Luidy, ora com Jorge Henrique pelo lado oposto gerando amplitude. Além disso, a passividade na marcação de Maylson, ao não tirar o espaço de Robinho, fez com que o meia tivesse tempo para tomar a melhor decisão: se tocava na direita para Dudu ou se enfiava a bola para Henan que gerava profundidade. Consequentemente Manoel se distanciou da linha defensiva ao ir em direção do lateral do Figueirense. Com isso, Robinho lançou nesse espaço a bola para Henan assinalar o terceiro e derradeiro gol do clube catarinense.
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| Foto: Reprodução/Premiere |
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| Foto: Reprodução/Premiere |















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